quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Investir em cultura...

Investir em cultura fará com que muitas pessoas possam sair da miséria não só do corpo, mas também da alma
(Ballé Nacional de Cuba - Foto Fábio Messias)

Tenho observações e argumentações de coisas que me incomodam, mas é óbvio que nem sempre estou certa, nem sou tão pontual. Estou exercendo apenas o direito de falar o que penso. Discutir e reclamar. Estou aberta a debates e conversas onde os interlocutores se entendam, aceitem e cheguem a um consenso.  Estou pronta pra dizer “putz... falei besteira”, porque sou humana e não tenho vergonha de errar. A ação efetiva requer muito mais do que palavras bonitas, ordenadas e lógicas no papel e na boca. Uma ação depende de todos e é aí que muito não se faz, mas muito se fala.
Nos dias 27 e 28 de setembro, estive na Assembléia Legislativa de São Paulo – ALESP, em audiências públicas sobre o orçamento do governo do estado que para 2012. A previsão é de aproximadamente 170 bilhões. Desse valor, para a Cultura, será destinado menos de 0,60%. 
Não sou da velha guarda da Cultura em SP, nem paulista e nem paulistana. Sou mineira, porém, moro aqui e tenho o direito de participar. Quero o melhor para este Estado que é maravilhoso e de uma Cultura ímpar. São tantas misturas, tanta história e  tamanha importância no país. Por isso, inicio minha participação como cidadã, como profissional da cultura, como empresária e como brasileira.
E por isso resolvi me manifestar. Manifestar para criar uma discussão sobre o tema:
** junto aos artistas e profissionais da Cultura – que a executam,
** junto aos políticos – que são responsáveis pelas leis e o fomento da mesma,
** junto aos empresários – que podem ser grandes investidores e com grandes benefícios ainda que sem leis de incentivo
** junto ao povo em geral pois serão os consumidores, de direito, destas ações.
Nunca me envolvi em política partidária, mas sempre estive envolvida em discussões e revoluções. Já tentei  não me envolver, mas, quando percebo, já estou envolvida. 
É tão angustiante ir a uma audiência pública, discutir verbas e falar de necessidades sem que haja uma visão holística sobre o que, como, quando e quanto gastar. Vejo que sem planejamento, sem um plano diretor para a Cultura, qualquer discussão fica personalizada e sem orientação. Uns querem mais verba para um projeto que já existe, outros querem mais para algum que ainda não existe e outros querem que encerre os que já estão aí. Outros, ainda, querem que calce a rua onde ele passa todo dia e outros beneficiar-se de uma emenda parlamentar para a determinada entidade  para assuntos afeitos dos sócios. 
De alguma forma, todos podem estar certos. O dinheiro é público e as necessidades são para o bem de muitos, ainda que poucos, diante da grandeza do Brasil.
Mas qual é o plano??? Sei que existem alguns e claro várias ações. Mas ainda muito embrionário. O que é mais importante, já que a verba não dá pra tudo e temos muitas dificuldades em atender todos os setores. De que adianta fazer o povo  falar se ele não foi orientado e incentiva a pensar no conjunto e pelas coletividades, e não apenas para suas próprias necessidades. Fica assim, apenas um uso da Democracia, mas não uma ação efetiva de resultados concretos.
Acredito que, o que acontece e acaba por prejudicar todos os setores, não só na Cultura, é que os governantes, de todas as esferas, chegam ao poder sem saber o que e como fazer. Mas, o tempo é muito curto para permitir a eles entender, aprender e, como esperamos, e executar. Não acredito em tudo o que é divulgado na imprensa. Tenho certeza que a realidade é outra. Tanto para o bem, como para o mal. Muitos desistem, muitos não são entendidos, muitos lutam de forma errada, muitos se rendem e claro também muitos não estão nem aí. Mas isso não é coisa de governo... é coisa de ser humano.
Cada um deve escolher, se quiser, um partido e defendê-lo, bem como ajudar a conduzi-lo. Mas todos, devemos ser suprapartidários (conversar com todos os partidos, estar acima da ideologia de qualquer partido) e ser um cidadão ativo politicamente quando o assunto for de interesse público. Isso deve estar acima de qualquer interesse.
Existe uma postura, equivocada, até mesmo ignorante (ignorante = é a pessoa que ignora algo),  adotada por muitos que, para defender seu partido, ignoram o interesse público e recusam uma solução evidente, simplesmente para não contrariar o "partido".
Todos devem participar e agir como autores e responsáveis pela mudança real que se quer, seja na educação, na cultura, ou qualquer outra área.
O meu foco é na Cultura, por isso defendo para ela um olhar diferente. 
Cultura não tem cerca e é um retrato de nossos costumes, de nosso povo, de nossa história. O nosso teatro, a nossa música, a nossa arte é brasileira, ainda que universal.
Na Cultura estão as Belas Artes como: música, teatro, dança, circo, literatura, cinema artes plásticas etc. Mas a Cultura tem muito mais. Cultura é educação, é resgate de patrimônio. É a criação, por exemplo, de fomento ao artesanato que não é somente uma ocupação para pessoas que não tem espaço no mercado formal, é uma forma de resgatar tradições. Cultura engloba as culturas populares como a Folia de Reis, Catira, Festa Junina, Religiões, Quilombolas. 
Precisamos nos tornar seres culturais. Seres hábeis a aculturar.
Analisando os Ministérios, poderemos ver e apontar a Cultura entrelaçada. Na maioria das vezes movimentando recursos, e muitos, em cada um dos setores. Existe aí um grande numero de trabalhadores e de circulação de recursos que não são formalizados.
Na Agricultura, que nasceu do cultivar a terra, criar animais, lidar com a água. Temos relações com a cultura quando falamos dos tropeiros, do Cururu, da Queima do Alho, das festas tradicionais, das festas religiosas, das festas das colheitas. A Cultura alimenta a alma e faz com que cidadãos entendam seu papel e passem a cuidar melhor de sua Cidade e do Meio Ambiente. A Cultura é responsável pela movimentação do Turismo de muitos lugares. É responsável pela Geração de Renda. Quantas peças de arte não são hoje construídas com o “lixo” ou com o que se chama de “resíduo”? Com o bagaço da cana ou as escamas do peixe? A Cultura do Brasil é admirada por todo o mundo. Quanto a Cultura não auxilia em nos posicionar com um grande país criativo em todo o mundo, melhorando as Relações Internacionais? Quantas crianças e jovens foram salvas do mundo das drogas através de projetos sociais que trabalhavam com Cultura e com o Esporte? Quantas pessoas foram resgatadas do mundo do crime através da cultura com ações realizadas em Presídios?
O investimento na Cultura trará à luz tantos anônimos informais que trabalham há anos e nunca vão ter os benefícios previdenciários como a aposentadoria, por não poderem  comprovar renda. Fará com que os legisladores enxerguem  a importância de criar e atualizar nossas leis com relação a direitos autorais por exemplo. Permitirá que todos os poderes possam visualizar e incentivar outras formas legítimas de trabalho e não apenas o emprego que, muitas vezes funciona como "amarra" à criação e evolução criativa. É neste assunto que venho insistindo da importância das Cooperativas e do Cooperativismo.
A Cultura modifica um pais. É  direito de todos. É garantia Constitucional.
Cultura é para ser consumida pela alma. Custa pouco e deveria ser parte das ações do Brasil sem Miséria.
Investir e Incentivar a Cultura irá transformar as pessoas em cidadãos mais aptos e  propensos à educação formal, à ética, à participação política. Abrirá os horizontes de todos.
Por isso tudo, não devemos só discutir orçamentos. Eles são importantes. Mas se entendermos e fizermos entender a importância e a amplitude do que é e o que pode ser a Cultura para o “Ministério da Cultura” e todos os outros, as “Secretarias de Cultura” e todas as outras, os governos, iniciativa privada e o próprio cidadão, não será preciso pedir mais verbas... ela virá, pelo mérito entendido, naturalmente por decisão de cada ente envolvido no processo!

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Cooperativa é....

uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e democraticamente gerida. (Conceito apresentado no Crongresso Centenário da Aliança Cooperativista Internacional em setembro de 1995, em Manchester, Inglaterra)

Cultura é....

o desenvolvimento intelectual do ser humano, são os costumes e crenças de um povo, está ligado com a emoção, o abstrato. De geração em geração a cultura é transmitida. Comida, belas artes (teatro, dança, música etc), arquitetura, línguas, comportamento... a cultura nos dá raízes, nos faz parte.

Cultura e Cooperativismo pode....

ser uma união perfeita onde a classe dos trabalhadores da cultura encontram um apoio e um formato de trabalho que vem de encontro com as necessidades do setor. Cooperativas de Cultura é hoje o melhor formato para a organização das variadas manifestações e coletivos que existem em todo o mundo.